sexta-feira, 26 de Abril de 2013

Quantas centenas cabem em largas dezenas de milhares?



[como é possível escrever-se que "centenas de pessoas" participaram nas comemorações populares da Revolução e juntar à mentira uma imagem que a esclarece cabalmente?]

"Mas entre os jornalistas há corporativismo a mais, e autoquestionamento a menos. Há falta de compromisso com o público e com a verdade. Falta de coragem e de ousadia. Não vemos surgir iniciativas jornalísticas marginais e críticas. Não se ouvem os gritos – de um jornalista que seja! – a denunciar o mundo orwelliano em que trabalha. Querem convencer-se de que os empregos dos jornalistas são empregos como os outros. Mas não são. Eles sabem escrever e comunicar, conhecem as técnicas e os canais da profissão – nós, não. Pior: eles sabem que, lá fora, há jornalistas a resistir. E isso é, para os jornalistas, uma responsabilidade terrível: não podem dizer que não sabiam, não podem dizer que não sabem como fazer, nem podem dizer que não podem fazer nada. Se são consciências acordadas, são consciências sem descanso. Se estão a dormir, nós estamos fartos de esperar que acordem." 
José Mário Branco, em "O silêncio ensurdecedor dos jornalistas portugueses"

[do site da SICn]

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